Eu me lembro e lembro muito bem, que, na década de 70, eu, Chico Monteiro(de saudosa memória), Titico Pedro e Jurandir Eufrausino, ainda estudantes, disputamos a Prefeitura de Itaporanga e a Câmara Municipal, pelo MDB, hoje, PMDB. Representávamos, na época, a juventude contestadora, rebelde e contrária ao coronelismo, à oligarquia, aos cabos eleitorais e à força do poder econômico. Tínhamos certeza de que estávamos entrando numa canoa furada e remando contra a maré, mas éramos jovens idealistas e nada nos amedrontava. Fizemos a campanha sem palanques, sem comícios, sem carro de som, sem alardes, apenas, com alguns "santinhos" e na base do contato "boca a boca". Claro que, naquela época e dessa maneira, não iríamos obter, jamais, resultado positivo algum. E foi o que aconteceu. Não ganhamos a campanha nem elegemos Vereador nenhum. Eu me lembro e me lembro muito bem, que, quando saiu o resultado da apuração dos votos, no Atlântida Esporte Clube e foi anunciado o Prefeito eleito, nós saimos para um cantinho da grama do Clube e nos desmanchamos em lágrimas. Choramos, porque perdemos a campanha, mas uma ponta de felicidade restou no nosso coração, pois sabíamos que a nossa participação, que a nossa mensagem e a nossa coragem de enfrentar e suportar o peso da força política da época, tinham deixado plantado, no solo de Itaporanga, a semente de uma mudança, na história da política e na mentalidade dos nossos queridos conterrâneos.
Viajando com o tempo e pelo tempo, percebo que não houve muita mudança na política de nossa terra, mas dá para perceber que o espaço, antes, impenetrável, hoje, já admite que lideranças surgentes o ocupem. Como vemos, já temos essas novas e surgentes lideranças e sentimos, também, que está existindo, na consciência do eleitor, um lugar para recebê-las, porque a saturação já exige renovação e maiores compromissos com os interesses e o bem-estar da coletividade. Aí, é que entro com a ideia para reflexão. Estamos nos aproximando do pleito municipal. Será que já não é hora de as lideranças oligárquicas darem a vez às lideranças surgentes? será que não é hora de os segmentos da sociedade reunirem as lideranças políticas e exigir mudança na metodologia de indicação de nosso próximo governante? Se vamos escolher uma pessoa para o Poder Executivo, que essa pessoa tenha índole administrativa, porque a índole política, quem deve tê-la, é quem pleiteia cargo para o Poder Legislativo. Se colocássemos a pessoa certa, no lugar certo, com certeza, os municípios seriam, melhormente, administrados e, certamente, não existiria o que estamos vendo e assistindo nos Poderes constituídos do País.
É, apenas, uma ideia para reflexão. Nada contra quem quer que seja.
Até breve.
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